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Comecei o Open House Porto 2017 ...

... com visita comentada por Joel Cleto.

 fotografia de Eugénio Leite

Optei por começar o dia com a visita ao Paço Episcopal comentada pelo historiador Joel Cleto.
Um grupo de cerca de 20 pessoas passaram mais de uma hora a escutar histórias
sobre o edifício onde habita o Bispo do Porto. Fiquei encantada com o que foi
possível visitar e claro com a simpatia e sabedoria de Joel Cleto.

 fotografia de Eugénio Leite

Ainda no âmbito da visita estava ainda contemplada a Igreja de São Lourenço,
uma bela Igreja Jesuíta, Maneirista, construída no século XVI,
também conhecida na cidade por Igreja dos Grilos.

Por hoje apenas as fotos de grupo gentilmente cedidas por um dos participantes,
mas em breve irei mostrar-vos o interior de cada um
dos edifícios visitados no Open House Porto 2017.

Corpus Christi ...

... antigo Convento em Gaia.


Há muito que andava para visitar a Igreja do Convento de Corpus Christi em Gaia, aproveitei o Open House que decorreu nos dias 4 e 5 de Julho e fiz uma visita guiada ao espaço :)

Construída no século XIV (1345), a igreja do convento de Corpus Christi de Gaia, de religiosas dominicanas, conheceu uma degradação gradual provocada pelas constantes cheias do rio Douro, o que originou a edificação de um novo templo, desenhado pelo Padre Pantaleão da Rocha de Magalhães, na segunda metade do século XVII. Este arquitecto foi responsável por várias obras no Porto e arredores, a primeira das quais o Corpus Christi.


Assim a nova igreja das dominicanas de Gaia foi construída mais afastada do rio, e possui planta centralizada octogonal (com capela-mor rectangular e profunda, e dois coros sobrepostos, do lado oposto), repetindo o modelo do templo lisboeta do convento do Bom Sucesso de Belém, concluído em 1670 e pertencente à mesma ordem.
 



No seu interior podemos destacar o cadeiral do coro em talha, que remonta à segunda metade de seiscentos, onde sobressai a expressividade de determinadas máscaras e animais. A pintura e a imaginária que decoram a igreja (tecto do coro alto, espaldar do cadeiral e retábulos), apresentam uma iconografia que se enquadra nas temáticas da Ordem. O tecto é dividido por 49 caixões que referem santos, sendo que 15 painéis centrais são alusivos à vida de Jesus.




Este Convento em 1742, tinha 47 religiosas e três noviças e em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo. A última freira morre a 5 de Janeiro de 1894 e o mosteiro fecha portas.

 


Há várias décadas que o Convento Corpus Christi se encontrava degradado, no entanto, em 2003, a Autarquia de Gaia acaba por adquirir edifício, procedendo de imediato a obras de requalificação. 
A intervenção que incidiu, sobretudo, na recuperação do telhado, tecto e coro alto da capela do convento Corpus Christi, deixou a olho nu um número vasto de peças de arte sacra de valor singular.

Foi uma visita interessante :)


TNSJ ...

... com visita guiada no Open House 2015.



Já há muito que queria visitar este edifício da Invicta :)

Por sorte conseguimos bilhetes para uma das visitas guiadas no fim de semana do Open House 2015. Valeu mesmo a pena !! Fomos um grupo atento e curioso que durante toda a visita mostrou interesse e escutou todas as explicações que o Arq. Luís Soares Carneiro nos foi dando.

  

A visita começou no foyer, onde o Arq. Luis Soares Carneiro nos contou brevemente a história do teatro, que remonta a 1798 com a inauguração do Real Teatro de S. João, em homenagem ao príncipe regente, futuro D. João VI. “Um incêndio em 1908 destruiu o edifício, que foi reconstruído pelo arquiteto José Marques da Silva” nas primeiras décadas do século XX, explicou-nos.




Com a queda da monarquia o teatro perdeu o título real e a sala que anteriormente servia de antecâmara do rei é agora a zona do bar, onde se pode tomar um copo e petiscar antes ou depois dos espetáculos. Junto ao bar, a visita continua no Salão Nobre, anteriormente usado como salão de baile, transformado agora numa sala de convívio onde se organizam eventos culturais e performances artísticas.


 




Os ricos tons de dourado, os tapetes e cortinas vermelhas e os pormenores arquitetónicos enchem o olho a qualquer visitante. Subimos os vários andares do edifício através das escadarias, há “varandas”
em cada andar pois o teatro era “um lugar para ver e ser visto”.


 

Ao longo de mais de uma hora, fomos guiados pelos vários espaços do teatro nacional. Nos bastidores, visitamos a sala de ensaios, os camarins individuais e um camarim coletivo onde se encontram expostos alguns dos figurinos que foram usados ao longo dos anos no teatro, os mais antigos datam de 1994.


Esta visita mostrou-nos o teatro em profundidade. Terminou na sala de espetáculos a que o público tem acesso, onde foram explicados alguns aspetos da sala à italiana. O Arq. Luís Soares Carneiro  convida-nos a apreciar as pinturas no teto, da autoria de Acácio Lino e José de Brito, e a recuar no tempo e imaginar o público elegante que frequentaria os camarotes para assistir a óperas e peças de teatro há anos atrás.





E foi possível, para além de nos deliciarmos com o brilho do interior, também espreitar a vista para o exterior do edifício :)



Da história do edifício fica um pequeno apontamento ...
O Real Teatro de São João foi projectado pelo arquitecto e cenógrafo italiano Vicenzo Mazzoneschi,  foi construído para dotar a “segunda cidade do Reino” de uma “bela escola de costumes e de civilidade”. Inaugurado oficialmente no dia 13 de Maio de 1798, foi o primeiro edifício construído de raiz no Porto exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos.

Viria a ser destruído por um incêndio na noite de 11 para 12 de Abril de 1908. No rescaldo da tragédia, uma testemunha ocular anotou as primeiras impressões: “É desolador o aspecto do edifício, do qual apenas restam as paredes e através de cujas portas e janelas se descortina a enorme ruinaria em que ficou transformada a nossa primeira sala de espectáculos”. No exato lugar desta “ruinaria” haveria de erguer-se o edifício-monumento que hoje conhecemos.

Em Outubro de 1909 é lançado um concurso público para a sua reconstrução, do qual sairia vencedor o anteprojecto assinado por José Marques da Silva. Considerado “o último arquitecto clássico e o primeiro arquitecto moderno do Porto”, Marques da Silva convocou para o seu projecto um conjunto de formas e sinais que dialogavam com a memória do edifício desaparecido.

O arquitecto conseguiu conjugar os valores de ostentação com os valores de eficácia, integrando com sucesso os aspetos puramente arquitectónicos e os construtivos. Valer-se-ia de uma nova técnica, com a utilização do betão na ossatura fundamental e as argamassas de cimento nos revestimentos. À época da sua inauguração, a 7 de Março de 1920, o Teatro de São João representava um compromisso entre a inovação técnica e a continuidade estilística de um gosto tradicional. Num só gesto, Marques da Silva captou a essência da melhor arquitectura: activar uma memória para a reinterpretar no confronto com o novo.

Em 1932, apenas 12 anos após a sua inauguração e acompanhando a decadência da actividade teatral na cidade, passou a chamar-se São João Cine, dedicando a maior parte da sua programação à exibição cinematográfica. O edifício foi esquecido e entrou numa fase de progressiva degradação. Adquirido pelo Estado, foi reinaugurado a 28 de Novembro de 1992 com a designação oficial de Teatro Nacional São João. Restaurado, remodelado e reequipado entre 1993 e 1995, segundo projeto do arquitecto João Carreira, voltou a ter uma programação regular. O edifício readquiriu a sua dignidade arquitectónica, a cidade ganhou um projecto com personalidade artística própria.

Em 2006, a dilatação das juntas do edifício começou a provocar a queda de blocos de betão da estrutura. Por questões de segurança, foi rodeado por uma rede de protecção e entaipado. A intervenção de restauro da envolvente exterior do edifício foi iniciada em Maio de 2013. Foram realizadas, entre outras, operações de limpeza, restauro e pintura das fachadas, reforços estruturais, reabilitação das coberturas e reparação dos elementos ornamentais. A conclusão das obras devolve-lhe o antigo esplendor e vigor, pondo a descoberto um rosto do edifício há muito esquecido.

(fonte: TNSJ)