... com visita guiada no Open House 2015.
Já há muito que queria visitar este edifício da Invicta :)
Por sorte conseguimos bilhetes para uma das visitas guiadas no fim de semana do
Open House 2015. Valeu mesmo a pena !! Fomos um grupo atento e curioso que durante toda a visita mostrou interesse e escutou todas as explicações que o
Arq. Luís Soares Carneiro nos foi dando.
A visita começou no
foyer, onde o Arq. Luis Soares Carneiro nos contou brevemente a história do teatro, que remonta a 1798 com a inauguração do Real Teatro de S. João, em homenagem ao príncipe regente, futuro D. João VI. “Um incêndio em 1908 destruiu o edifício, que foi reconstruído pelo arquiteto
José Marques da Silva” nas primeiras décadas do século XX, explicou-nos.
Com a queda da monarquia o teatro perdeu o título real e a sala que anteriormente servia de antecâmara do rei é agora a zona do bar, onde se pode tomar um copo e petiscar antes ou depois dos espetáculos. Junto ao bar, a visita continua no
Salão Nobre, anteriormente usado como salão de baile, transformado agora numa sala de convívio onde se organizam eventos culturais e performances artísticas.
Os ricos tons de dourado, os tapetes e cortinas vermelhas e os pormenores arquitetónicos enchem o olho a qualquer visitante. Subimos os vários andares do edifício através das escadarias, há “varandas”
em cada andar pois o teatro era “um lugar para ver e ser visto”.
Ao longo de mais de uma hora, fomos guiados pelos vários espaços do teatro nacional. Nos bastidores, visitamos a sala de ensaios, os camarins individuais e um camarim coletivo onde se encontram expostos alguns dos figurinos que foram usados ao longo dos anos no teatro, os mais antigos datam de 1994.
Esta visita mostrou-nos o teatro em profundidade. Terminou na sala de espetáculos a que o público tem acesso, onde foram explicados alguns aspetos da sala à italiana. O
Arq. Luís Soares Carneiro convida-nos a apreciar as pinturas no teto, da autoria de
Acácio Lino e José de Brito, e a recuar no tempo e imaginar o público elegante que frequentaria os camarotes para assistir a óperas e peças de teatro há anos atrás.
E foi possível, para além de nos deliciarmos com o brilho do interior, também espreitar a vista para o exterior do edifício :)
Da história do edifício fica um pequeno apontamento ...
O Real Teatro de São João foi projectado pelo arquitecto e
cenógrafo italiano Vicenzo Mazzoneschi, foi
construído para dotar a “segunda cidade do Reino” de uma “bela escola de
costumes e de civilidade”. Inaugurado oficialmente no dia 13 de Maio de
1798, foi o primeiro edifício construído de raiz no Porto
exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos.
Viria a ser destruído
por um incêndio na noite de 11 para 12 de Abril de 1908. No rescaldo da
tragédia, uma testemunha ocular anotou as primeiras impressões: “É
desolador o aspecto do edifício, do qual apenas restam as paredes e
através de cujas portas e janelas se descortina a enorme ruinaria em que
ficou transformada a nossa primeira sala de espectáculos”. No exato
lugar desta “ruinaria” haveria de erguer-se o edifício-monumento que
hoje conhecemos.
Em Outubro de 1909 é lançado um concurso público para a sua
reconstrução, do qual sairia vencedor o anteprojecto assinado por José
Marques da Silva. Considerado “o último arquitecto clássico e o primeiro
arquitecto moderno do Porto”, Marques da Silva convocou para o seu
projecto um conjunto de formas e sinais que dialogavam com a memória do
edifício desaparecido.
O arquitecto conseguiu conjugar os valores de ostentação com os
valores de eficácia, integrando com sucesso os aspetos puramente
arquitectónicos e os construtivos. Valer-se-ia de uma nova técnica, com a
utilização do betão na ossatura fundamental e as argamassas de cimento
nos revestimentos. À época da sua inauguração, a 7 de Março de 1920, o
Teatro de São João representava um compromisso entre a inovação técnica e
a continuidade estilística de um gosto tradicional. Num só gesto,
Marques da Silva captou a essência da melhor arquitectura: activar uma
memória para a reinterpretar no confronto com o novo.
Em 1932, apenas 12 anos após a sua inauguração e acompanhando a
decadência da actividade teatral na cidade, passou a chamar-se São João
Cine, dedicando a maior parte da sua programação à exibição
cinematográfica. O edifício foi esquecido e entrou numa fase de
progressiva degradação. Adquirido pelo Estado, foi reinaugurado a 28 de
Novembro de 1992 com a designação oficial de Teatro Nacional São João.
Restaurado, remodelado e reequipado entre 1993 e 1995, segundo projeto
do arquitecto João Carreira, voltou a ter uma programação regular. O
edifício readquiriu a sua dignidade arquitectónica, a cidade ganhou um
projecto com personalidade artística própria.
Em 2006, a dilatação das juntas do edifício começou a provocar a
queda de blocos de betão da estrutura. Por questões de segurança, foi
rodeado por uma rede de protecção e entaipado. A intervenção de restauro
da envolvente exterior do edifício foi iniciada em Maio de 2013. Foram
realizadas, entre outras, operações de limpeza, restauro e pintura das
fachadas, reforços estruturais, reabilitação das coberturas e reparação
dos elementos ornamentais. A conclusão das obras devolve-lhe o antigo
esplendor e vigor, pondo a descoberto um rosto do edifício há muito
esquecido.
(fonte: TNSJ)