quinta-feira, 30 de junho de 2011

Valência ...

... conhecer a sua história e rever familiares foi o que me levou até esta bela cidade.

Uma cidade antiga, nova, tradicional, futurista, exuberante, recatada… Valência oferece-nos de tudo um pouco.



Deambular pelo seu pitoresco centro histórico, a “Ciutat Vella”, oferece uma ampla variedade de pontos de interesse. Labirintos de ruelas estreitas e a atmosfera boémia marcam o bairro de “El Carmen”, onde os belos monumentos medievais são intercalados com animados bares e cafés que constituem o centro da vida nocturna da cidade.


A “Plaza de la Reina” acolhe a Catedral de Valência (La Seu), um edifício que combina uma fusão de estilos arquitectónicos: romanos, góticos, barrocos e renascentistas. E claro não se pode deixar de subir à sua famosa torre sineira, "Micalet", um dos monumentos mais emblemáticos da cidade, com vistas.






Imperdível é uma visita a “Lonja de la Seda” (Bolsa da seda), um local classificado como Património da Humanidade pela UNESCO, e considerado também um dos mais bem preservados exemplos da arquitectura civil gótica de toda a Europa. Fica no bairro do “Mercat”, uma zona que se desenvolveu muito graças às intensas trocas comerciais da cidade no século XVI.





Nesta zona temos também o esplêndido edifício Arte Nova do “Mercat Central que oferece uma irresistível gama de produtos frescos, faianças e utensílios de cozinha nos seus mais de mil expositores. Os inúmeros bares dentro e fora do mercado oferecem uma excelente oportunidade para descansar e provar algumas das mais frescas e famosas “tapas” valencianas, e foi o que fizemos :)


De contemplar são também os murais e frisos da “Estación del Norte”, construída entre 1906 e 1917.


Não longe, fica o recém-restaurado Mercado de Colón, esvaziado da sua função inicial para dar lugar ao lazer, cujos murais nos recordam a importância da laranja, e antes dela da uva, na economia da região.


A arquitectura histórica e o design urbano vanguardista encontram-se em perfeita harmonia em Valência, onde uma curta distância separa o centro histórico da futurista Cidade das Artes e das Ciências – um complexo urbano dedicado às artes e ciências. Concebida pelo arquitecto valenciano Santiago Calatrava e um dos símbolos mais emblemáticos da cidade moderna, mas este complexo irá ter direito a um post :P

Depois de lermos que o ultra moderno “Palau dos Congressos” era apenas recomendável os fanáticos dos design contemporâneo, claro que lá fomos de metro até ele :P assim conhecemos pelo exterior esta obra de Norman Foster.

Tivemos ainda a oportunidade de caminhar pela “La Marina Real Juan Carlos I” e pelo “Paseo Marítimo”, onde nos foi possível admirar o edifício “Vels i Vents”, concebido pelo arquitecto David Chipperield.



Por entre estes nossos passeios houve tempo para estar com a família e até passear com eles, assim no domingo pela manhã aproveitamos e visitamos o Museu das Belas Artes de Valência.



... em breve mais uns posts sobre Valência

sábado, 25 de junho de 2011

Glamping ...

... "Campismo Encantador" uma nova forma de acampar.



Parece-me que é agora que vou gostar de acampar !! :)

“Glamping” é uma nova palavra que define acampar sem o incómodo de ter de carregar o carro com todos os materiais necessários. Acampar sem ter de montar a tenda depois de um dia de viagem. Acampar, mas dormir numa cama confortável e poder usar a sua própria casa de banho e ter uma cozinha com tudo o que é necessário para preparar as suas refeições.

Mistura a natureza com os serviços de um hotel, no entanto à semelhança do campismo tradicional, a proximidade com a natureza será grande, pois o que o separa o ar fresco e puro é apenas uma camada de lona. Com o privilégio de poder adormecer a observar as estrelas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Como é ...

... que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
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