terça-feira, 21 de julho de 2015

TNSJ ...

... com visita guiada no Open House 2015.



Já há muito que queria visitar este edifício da Invicta :)

Por sorte conseguimos bilhetes para uma das visitas guiadas no fim de semana do Open House 2015. Valeu mesmo a pena !! Fomos um grupo atento e curioso que durante toda a visita mostrou interesse e escutou todas as explicações que o Arq. Luís Soares Carneiro nos foi dando.

  

A visita começou no foyer, onde o Arq. Luis Soares Carneiro nos contou brevemente a história do teatro, que remonta a 1798 com a inauguração do Real Teatro de S. João, em homenagem ao príncipe regente, futuro D. João VI. “Um incêndio em 1908 destruiu o edifício, que foi reconstruído pelo arquiteto José Marques da Silva” nas primeiras décadas do século XX, explicou-nos.




Com a queda da monarquia o teatro perdeu o título real e a sala que anteriormente servia de antecâmara do rei é agora a zona do bar, onde se pode tomar um copo e petiscar antes ou depois dos espetáculos. Junto ao bar, a visita continua no Salão Nobre, anteriormente usado como salão de baile, transformado agora numa sala de convívio onde se organizam eventos culturais e performances artísticas.


 




Os ricos tons de dourado, os tapetes e cortinas vermelhas e os pormenores arquitetónicos enchem o olho a qualquer visitante. Subimos os vários andares do edifício através das escadarias, há “varandas”
em cada andar pois o teatro era “um lugar para ver e ser visto”.


 

Ao longo de mais de uma hora, fomos guiados pelos vários espaços do teatro nacional. Nos bastidores, visitamos a sala de ensaios, os camarins individuais e um camarim coletivo onde se encontram expostos alguns dos figurinos que foram usados ao longo dos anos no teatro, os mais antigos datam de 1994.


Esta visita mostrou-nos o teatro em profundidade. Terminou na sala de espetáculos a que o público tem acesso, onde foram explicados alguns aspetos da sala à italiana. O Arq. Luís Soares Carneiro  convida-nos a apreciar as pinturas no teto, da autoria de Acácio Lino e José de Brito, e a recuar no tempo e imaginar o público elegante que frequentaria os camarotes para assistir a óperas e peças de teatro há anos atrás.





E foi possível, para além de nos deliciarmos com o brilho do interior, também espreitar a vista para o exterior do edifício :)



Da história do edifício fica um pequeno apontamento ...
O Real Teatro de São João foi projectado pelo arquitecto e cenógrafo italiano Vicenzo Mazzoneschi,  foi construído para dotar a “segunda cidade do Reino” de uma “bela escola de costumes e de civilidade”. Inaugurado oficialmente no dia 13 de Maio de 1798, foi o primeiro edifício construído de raiz no Porto exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos.

Viria a ser destruído por um incêndio na noite de 11 para 12 de Abril de 1908. No rescaldo da tragédia, uma testemunha ocular anotou as primeiras impressões: “É desolador o aspecto do edifício, do qual apenas restam as paredes e através de cujas portas e janelas se descortina a enorme ruinaria em que ficou transformada a nossa primeira sala de espectáculos”. No exato lugar desta “ruinaria” haveria de erguer-se o edifício-monumento que hoje conhecemos.

Em Outubro de 1909 é lançado um concurso público para a sua reconstrução, do qual sairia vencedor o anteprojecto assinado por José Marques da Silva. Considerado “o último arquitecto clássico e o primeiro arquitecto moderno do Porto”, Marques da Silva convocou para o seu projecto um conjunto de formas e sinais que dialogavam com a memória do edifício desaparecido.

O arquitecto conseguiu conjugar os valores de ostentação com os valores de eficácia, integrando com sucesso os aspetos puramente arquitectónicos e os construtivos. Valer-se-ia de uma nova técnica, com a utilização do betão na ossatura fundamental e as argamassas de cimento nos revestimentos. À época da sua inauguração, a 7 de Março de 1920, o Teatro de São João representava um compromisso entre a inovação técnica e a continuidade estilística de um gosto tradicional. Num só gesto, Marques da Silva captou a essência da melhor arquitectura: activar uma memória para a reinterpretar no confronto com o novo.

Em 1932, apenas 12 anos após a sua inauguração e acompanhando a decadência da actividade teatral na cidade, passou a chamar-se São João Cine, dedicando a maior parte da sua programação à exibição cinematográfica. O edifício foi esquecido e entrou numa fase de progressiva degradação. Adquirido pelo Estado, foi reinaugurado a 28 de Novembro de 1992 com a designação oficial de Teatro Nacional São João. Restaurado, remodelado e reequipado entre 1993 e 1995, segundo projeto do arquitecto João Carreira, voltou a ter uma programação regular. O edifício readquiriu a sua dignidade arquitectónica, a cidade ganhou um projecto com personalidade artística própria.

Em 2006, a dilatação das juntas do edifício começou a provocar a queda de blocos de betão da estrutura. Por questões de segurança, foi rodeado por uma rede de protecção e entaipado. A intervenção de restauro da envolvente exterior do edifício foi iniciada em Maio de 2013. Foram realizadas, entre outras, operações de limpeza, restauro e pintura das fachadas, reforços estruturais, reabilitação das coberturas e reparação dos elementos ornamentais. A conclusão das obras devolve-lhe o antigo esplendor e vigor, pondo a descoberto um rosto do edifício há muito esquecido.

(fonte: TNSJ)
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