"Vieille Lille" ...

… a cada passo, uma descoberta!

Panorâmica da Praça Charles de Gaulle

1º. Dia

A cidade de Lille que passa ao lado da maioria dos turistas, deixou-nos completamente encantadas. Para além de possuir uma história muito rica e extensa, encontra-se estrategicamente colocada no coração da Europa o que lhe deu ao longo dos séculos um protagonismo na tumultuosa vida do continente europeu.

Após deixarmos a bagagem no nosso hotel, Mister Bed Lille, mesmo no centro da cidade, dirigimo-nos em direcção ao “Palais Rihour”, lugar onde actualmente funciona o posto de turismo de Lille. O “Palais Rihour” foi construído pelos duques de Borgonha, no século XV e foi classificado como património histórico em 1875, mas actualmente o que resta do palácio é apenas uma pequena parte que correspondia à capela do palácio, pois foi um dos únicos edifícios que escapou ao incêndio de 1916.
“A fundação da cidade remonta a 1066, edificada sob a soberania do conde da Flandres como uma fortaleza sobre uma ilha. Conquistada e libertada, destruída e reconstruída, desejada por estrangeiros e amada por patriotas, Lille passou de mão várias vezes, levantando sobre os seus bastiões bandeiras de todas as cores e tendo sido decorada com todos os brasões. (…) No século IX aparece pela primeira vez como parte do Condado da Flandres. Em 1369 a cidade torna-se, em conjunto com Dijon e Bruxelas, uma das capitais dos estados da Borgonha. Mais tarde Lille é anexada durante 150 anos aos Países Baixos espanhóis, um império de curta duração. Em 1667 as tropas de Luís XIV reconquistam a cidade, tornando-a definitivamente parte do reino de França. Mas os conflitos não terminam. Durante e depois da Revolução Francesa, Lille sofre destruições várias, nomeadamente face aos exércitos austríacos em 1792. O século XIX assiste ao nascimento de uma capital industrial que rapidamente triplica as suas dimensões e o número de seus habitantes.”


Em 1929, foi colocado junto ao “Palais Rihour” um monumento imponente em homenagem a Edgar Dead Brouty e Alleman Jacques, uma memória da destruição e do sofrimento de Lille durante a Primeira Guerra Mundial.


Depois de bem documentadas e de mapa na mão partimos à descoberta de Lille que como todas as cidades históricas, se visita a pé e foi isso que nós fizemos logo no primeiro dia, durante horas palmilhamos as suas ruas medievais, passeamos pelas praças recuperadas do centro histórico, num percurso feito sem presa e sempre de cabeça levantada para podermos contemplar as bonitas fachadas com decorações diversas desde as mais sobrecarregadas com frutas, folhagens, cornucópia ou as cabeças dos querubins, às mais simples que nos levam para os inícios do século XX. 

As ruas de Grande-Chaussée e Chats-Bossus, a praça dos Patiniers e a do Lion d'Or, ou a carismática e bela rua de La Monnaie, são artérias da antiga cidade medieval, que ainda reserva recantos elegantes e atractivos. 

 A "Vieille Bourse", é um dos poucos monumentos originais que resistiram aos saques da História, e permanece como testemunho da vocação financeira de Lille. É uma verdadeira relíquia da Renascença flamenga e ocupa grande parte do coração da cidade acolhendo nas suas arcadas uma feira do livro à data da nossa visita.


“Foi edificada entre 1652 e 1653 por Julian Destré, um arquitecto-urbanista-decorador que criou um estilo feito de diferentes estilos, inspirado em Jacques Francquart e Abraham Bosse e retomando os projectos de Jean Barbet e de Antoine Le Mercier. Nas fachadas, a imaginação é evidente: ao lado de corpos semi-despidos, femininos e masculinos, trabalhados com elegância, encontram-se figuras grotescas, muito abundantes na iconografia medieval. Desde corações coroados e animais a querubins, ao deus Baco, ao rei Midas e a mulheres sedutoras, todos contemplam dos mais diversos ângulos e alturas o vaivém da cidade do novo milénio, que elegeu o pátio central desde edifício como um local de passeio e descanso.“
Em plena Praça Charles De Gaulle, assim chamada em homenagem a este carismático político natural de Lille, mas também designada de "Grand Place", a verdadeira jóia da cidade, encontramos-nos rodeadas por casas com fachadas do século XVII restauradas em 1974. Bem no centro desta praça, ergue-se uma gigantesca coluna e a estátua de uma mulher - "La Déesse", inaugurada em 1845, para recordar a vitória dos habitantes de Lille sobre os austríacos em 1792.


Num dos lados da praça, no topo da fachada de um dos bonitos edifícios, onde funciona a redacção do jornal "La Voix du Nord", encontram-se outras três figuras femininas, folheadas a ouro, que observam a Vitória e representam as três províncias do Norte: Flandres, Artois e Hainaut.





Esta bela praça é sem dúvida o coração vivo e pulsante da cidade, possui numerosas esplanadas sempre cheias de gente e ali bem perto fica a Pastelaria Mèert de que falei já num post, é um lugar a não perder quando fizerem uma visita a Lille.


Mesmo por detrás da Praça De Gaulle, está a Praça do Teatro, outro lugar carismático da cidade onde a jóia é, naturalmente, o edifício da Ópera inaugurado em 1923 com a assinatura do arquitecto Louis-Marie Cordonnier. Possui uma fachada neoclássica decorada por dois motivos alegóricos: "A Música" e "A Tragédia". A coroar o edifício seis musas em redor do deus Apolo.






Apesar de um pouco longe deste centro cosmopolita ainda visitamos no primeiro dia um dos mais antigos marcos da história de Lille: a "Citadelle".
“Esta obra baptizada como "a rainha das cidadelas" pelo seu criador, Vauban, foi construída com os bastiões em forma de estrela de cinco pontas, colocadas na zona mais baixa da cidade, que então era atravessada por mais de cem canais. A escolha deste local permitia uma eficaz defesa da cidade, graças a um complexo sistema de inundações em caso de ataque. A primeira pedra foi colocada a 17 de Junho de 1668 e no dia 15 de Outubro de 1670 a "Citadelle" já era capaz de resistir a qualquer ofensiva. Hoje, este local é um dos pontos de atracção ao domingo, por ser uma das zonas verdes da cidade, local de embarque para passeios em barcos turísticos que fazem excursões pelo rio, hospedando um dos mais bonitos jardins zoológicos de França.”








    











Ao regressarmos da “Citadella” aventuramos-nos por mais umas ruas que nos trouxeram junto da “Catedrale Notre Dame de la Treille” construída ao estilo neo-gótico. A sua construção decorreu entre 1856 e 1998.




O arquitecto da fachada moderna e sóbria foi Pierre-Louis Carlier, esta fachada é completamente independente da restante construção, sendo a parte central composta por uma ogiva de 30 metros de altura, coberta com 110 placas de mármore branco, 28 mm de espessura, suportadas por uma estrutura metálica executada por Peter Rice. As portas principais possuem uns 5 m de altura e são feitas de vidro e bronze da autoria de George Jeanclos.



(continua brevemente noutro post)