“Nuestros Silêncios”



Fiquei ontem a saber num programa da RTP2, que é possível ver até ao próximo dia 10 de Janeiro de 2010 dez gigantes em bronze com a boca tapada, que representam "tudo o que os seres humanos preferem não dizer" segundo o seu autor, o artista mexicano Rivelino. Estas esculturas encontram-se na praça do Marquês de Pombal, em Lisboa, desde 23 de Novembro de 2009.

É um conjunto monumental com esculturas em bronze de 3,5m de altura e cerca de 850kg cada uma. Mas a exposição inclui ainda uma peça em aço, designada de Cubo Táctil, que comporta no seu interior 4 esculturas à escala, idênticas às que se encontram no exterior, com a finalidade de serem percepcionadas através do tacto, pelas aberturas existentes nas faces do Cubo, proporcionando ao público, invisual e não só, uma experiência diferente.

O autor da obra refere que "Há silêncios que duram um minuto, e outros toda a vida", considerando que a falta de liberdade de expressão vai desde o conceito mais geral, da repressão política ou ideológica da sociedade em que se vive, mas também abarca os domínios mais pessoais. Achei curioso Rivelino chamar a atenção para o que seria se todos disséssemos sempre tudo o que pensamos, efectivamente a maioria de nós, senão todos, temos muitos silêncios nas nossas vidas.

O número de esculturas também não foi ao acaso, Rivelino explica que pensou durante bastante tempo num número com significado místico ou cabalístico, e acabou por escolher o 10 pois "é composto por dois números importantes: toda a gente aspira a ser o primeiro, e o zero significa o nada, são opostos", "Mas também porque toda a tecnologia actual se baseia nestes dois números, que podem também ser representativos para a arte".

Esta exposição depois de Lisboa segue para Madrid, Bruxelas, Roma, Berlim, Londres e, finalmente, Bordéus, na França.