quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

The Time Machine

... no Museu da Electricidade, em Lisboa, a maior exposição de Edgar Martins.


A minha princesa levou-me hoje ao Museu da Electricidade, onde para além desta exposição estava ainda patente uma exposição de Julião Sarmento e outra de José Loureiro.

Mas foi a de Edgar Martins que se destacou :)

Edgar Martins é um artista plástico que trabalha sobre fotografia. Uma definição que parece mais adequada do que a de fotógrafo. Isto porque Edgar Martins não trabalha a fotografia de forma purista, nem sequer explora qualquer tipo de naturalidade lumínica ou do objecto, antes optando por trabalhar a imagem em pós-produção consoante as suas necessidades artísticas. Isto aproxima-o muito mais de um pintor que de um fotógrafo e as questões artísticas que levanta com as suas obras estão mais próximas da pintura que da fotografia.

Por tudo isto, The Time Machine não surpreende. Saberíamos que aquelas imagens são de Edgar Martins, em qualquer lugar onde estivessem, mas no Museu de Electricidade têm espaço para respirar. Para além disso a sua temática não encontraria melhor eco do que um edifício que foi uma central termoeléctrica.


O artista dedicou-se a fotografar centrais hidroeléctricas portuguesas e a sua maquinaria, ferramentas ou apenas espaços físicos como salas de reunião. É nestas últimas que se nota mais o cuidado posto na encenação e composição do espaço. Salas anónimas como Central do Alto Rabagão: Poço de barramentos (vista obtida da Sala de Máquinas) tornam-se vazias e cirúrgicas sob o olhar de Edgar Martins. São elevadas elas próprias à categoria de máquina.

Edgar Martins, Central do Alto Rabagão: Poço de barramentos
(vista obtida da Sala de Máquinas)
, série The Time Machine, 2011.
Prova por relevação cromogénea. 180x225 cm. © Edgar Martins

Edgar Martins consegue um elevado grau de abstracção em algumas obras, seja pelo ponto de vista escolhido como em Central do Pocinho: Poço de descarga de equipamentos (vista obtida do piso dos alternadores) que acaba por parecer um jogo de texturas e de perspectivas que nos alienam do espaço arquitectónico, seja por alteração de escala como acontece em imagens como Central do Fratel: Sala de máquinas em que a posição elevada do observador relativamente à sala, nos torna gigantes em face de um espaço que a uma observação atenta percebermos ser de grandes dimensões.

Edgar Martins, Central do Pocinho: Poço de descarga de equipamentos
(vista obtida do piso dos alternadores)
, série The Time Machine, 2011.
Prova por relevação cromogénea. 120x150 cm. © Edgar Martins
 


Edgar Martins, Central do Fratel: sala de máquinas,
série The Time Machine, 2011. © Edgar Martins

Edgar Martins nasceu em Évora (1977) e cresceu em Macau. Mudou-se para Inglaterra em 1996, onde completou a sua formação em Belas Artes e Fotografia, primeiro no London Institute e depois no Royal College of Art, Londres.


O seu trabalho está representado internacionalmente em numerosas coleções como as do Victoria & Albert Museum (Londres), National Media Museum (Bradford), Dallas Museum of Art (EUA), Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação EDP, Fondation Carmignac (Paris), etc. A sua primeira monografia, intitulada Buracos Negros e Outras Inconsistências, recebeu vários prémios incluindo o Thames & Hudson e RCA Society Book Art Prize e o Jerwood Photography Award de 2003. Mais recentemente o artista venceu o 2010 International Photography Awards (categoria Fine Art-Abstract), tendo também sido nomeado para o célebre Prix Pictet 2009. Foi selecionado para representar Macau na 54ª edição da Bienal de Veneza.
 
Fonte: ArteCapital
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