Selos para a ONU ...

... desenhados por ilustradora Portuguesa.

foto de Paulo Ricca

No último encontro Nacional de Ilustração, que decorreu em SJM tive oportunidade de ter contacto com o trabalho desta jovem ilustradora. Diana Marques foi agora convidada pelas Nações Unidas a criar uma série filatélica sobre espécies animais ameaçadas.

Diana refere que recebeu com surpresa o convite da directora de arte da Administração Postal das Nações Unidas.“Fiquei muito contente quando soube que vai chegar a tantas pessoas, em tantos países”, pois trata-se de uma colecção que a ONU lança todos os anos para sensibilizar as pessoas para a fauna em perigo de extinção. Esta é a 20ª edição e estará à venda a 19 de Abril.

No entanto o prazo era apertado (cinco semanas para ilustrar três folhas com quatro selos cada), por isso, o trabalho envolveu uma planificação cuidadosa. “Houve uma primeira fase de escolha das espécies, baseada numa lista proposta pela ONU; depois tirei uma semana para pesquisar referências e completar esboços. De seguida, parti para o trabalho final”, explica a Diana Marques.

Os “modelos” escolhidos foram o leopardo das neves, o panda gigante, o tigre da sibéria, a iguana verde, o saguim cabeça de algodão, o camaleão orelhas de elefante, o gato do mato pequeno, o papagaio tigre, o lemur cabeça dourada, o axolote, o faisão do Bornéu e a coruja de máscara.




Mais que um processo criativo, a ilustração científica assume-se como uma ferramenta de comunicação, que passa por “escolher uma estratégia para chegar às pessoas e dizer o que a ciência pretende dizer”. O equilíbrio entre a vertente estética e a vertente científica “é muito delicado e é importante ser um ilustrador científico a fazê-lo porque está preparado para tomar decisões”, destaca Diana Marques.

Diana sempre viveu entre estas duas vocações. “São dois interesses que vivem lado a lado desde sempre, mesmo nos testes psicotécnicos tinha sempre classificações muito elevadas em ciências e em artes. Depois acabei por escolher estudar Biologia na faculdade, e estava no segundo ano quando vi o anúncio de um curso de ilustração científica, e é engraçado como “clicou” imediatamente”.

Assim começou um percurso que a levou a ser um dos nomes mais sonantes da área, caminho que passou por uma pós-graduação na Universidade da Califórnia, e pelo trabalho no National Museum of Natural History da Smithsonian Institution, em Washington; no Queensland Museum, na Austrália; e no American Museum of Natural History, em Nova Iorque, entre outros.

Fonte: P3