Vhils grava a miss Oliva ...

... na parede num tributo aos antigos operários da fábrica.




Última intervenção de Alexandre Farto ficou pronta este fim de semana na Oliva em São João da Madeira. A obra é também um convite à reflexão sobre o abandono da indústria no nosso país. 

Representou uma funcionária da empresa, retirada de um cartaz publicitário às máquinas de costura, mais dois rostos de operários de diferentes gerações da antiga metalúrgica de São João da Madeira, crianças e árvores que remetem para o futuro.





A intervenção foi realizada num dos muros da antiga fábrica e mesmo em frente à entrada da Oliva Creative Factory, o acesso foi cortado ao trânsito e o trabalho pode ser acompanhado in loco, pois o porque o artista trabalha com explosivos e berbequins.

Alexandre Farto quis cravar a história da Oliva num muro numa homenagem aos antigos operários - não esquecendo que aquele muro assistiu aos tempos áureos de uma indústria que chegou a ter 3.300 trabalhadores até à decadência e, por fim, ao silêncio absoluto, ao fecho da empresa.

“A ideia é fazer um tributo a todas as pessoas que aqui trabalharam, cravar a história no que resta”, conta. E, ao mesmo tempo, fazer pensar. “Reflectir sobre o abandono que foi feito à indústria em Portugal”, acrescenta. Alexandre Farto viu fotografias a preto e branco da Oliva, publicidades, leu a sua história. Mas não quis ficar apenas no passado, olhando de frente para uma Oliva que, neste momento, se transfigura para reabrir como um espaço de indústrias criativas. O significado do muro, como testemunha de histórias vividas do lado de lá e agora como “montra” de um novo espaço, foi importante neste seu trabalho.

A obra de Vhils tem raízes na street art e no grafitti e conjuga desenho à mão livre, animação, design gráfico e ilustração. Escava paredes para criar retratos profundos, que se tornam inesquecíveis. É conhecido por marcar a identidade das cidades por onde passa. Natural de Lisboa, onde nasceu em 1987, concluiu os estudos na University of the Arts em Londres, em 2008.


Fonte: Público